quarta-feira, 23 de julho de 2014

Formação do povo brasileiro


A FORMAÇÃO DO POVO BRASILEIRO

 

A história nos conta que o povo brasileiro foi formado a partir de misturas de grupos étnicos (raças).

O Brasil é um país de grande miscigenação (mistura de povos), ou seja, é um país que tem muitos casamentos entre as várias etnias.

Tudo começou no século XVI, com a chegada dos brancos, mais precisamente dos portugueses. Com a colonização (pessoas vindo morar no país), misturou-se o sangue dos portugueses com os índios, que já estavam aqui antes do descobrimento do Brasil.

Mais tarde, os negros foram trazidos da África à força pelos portugueses para trabalharem como escravos no cultivo da cana-de-açúcar.

Pode-se dizer que a mistura dessas três etnias ou raças deu origem à formação do povo brasileiro: índios, brancos e negros.

Da mistura desses povos surgiram os mestiços: o mulato, o caboclo e o cafuzo.

Branco com negro deu origem ao MULATO.

Índio com Branco deu origem ao CABOCLO.

Negro com índio deu origem ao CAFUZO.

Com o passar dos séculos chegaram outros imigrantes (pessoas que vêm de outros países), vindos das mais variadas regiões da Terra.

Esses outros povos que chegavam se misturavam entre si e também com os povos que aqui já estavam. E essa miscigenação pode ser observada no rosto, no corpo, nos hábitos, nas crenças e nos valores de cada brasileiro. Não somos um povo idêntico, com características semelhantes, pois somos resultado da miscigenação, mistura de várias etnias.

Por isso, a maioria da população hoje é mestiça.

 

 

CONCENTRAÇÃO POPULACIONAL BRASILEIRA

 

Povo: conjunto de pessoas.

Nação: país, local de nascimento.

População é o conjunto de pessoas que habitam um determinado lugar.

Então, onde estão dos brasileiros?

A maioria da população brasileira concentra-se no litoral, sendo o interior menos povoado.

A concentração da população brasileira iniciou-se na época em que o Brasil era colônia de Portugal. Isso aconteceu porque a construção de cidades próximas do litoral facilitava o transporte de matérias-primas pelos portos marítimos.

A maioria da população vive nas cidades, em todo país.

 

PARA CASA: PESQUISA NA FAMÍLIA

 

Procure conversar em casas e descobrir a sua descendência.

 

ATIVIDADES

 

1- Leia o texto silenciosamente.

2- Coloque (V) ou (F):

( ) O povo brasileiro foi formado por mistura de raças.

( ) O branco já vivia no Brasil e depois vieram os índios.

( ) Os índios estavam aqui e chegaram os brancos.

( ) A mistura de brancos e índios deu origem ao mestiço caboclo.

( ) Depois chegaram os negros.

( ) A mistura de negros com brancos deu origem ao cafuzo.

( )Os brancos também se misturaram com os negros dando origem ao mestiço Cafuzo.

( ) Os índios se misturaram com os negros e deu origem ao mestiço Mulato.

 

3- Ligue:

branco + índio cafuzo

negro + branco mulato

negro + índio caboclo

 

4- Responda no caderno

a- O que é miscigenação?

b- O que é etnia?

c- Porque os negros vieram da África para o Brasil?

d- O que é imigrante?

e- Porque os brasileiros não são todos parecidos como acontece em alguns países do mundo?

f- O que é população?

g- O que significa: POPULAÇÃO BRASILEIRA?

h- Qual é a sua nação?

i-Onde concentra-se a maioria da população brasileira? Porque?

 

5- A maioria das pessoas brasileiras vivem nas cidades. ( ) certo ( ) errado

 

6- Brancos – negros – índios. A mistura dessas três etnias deram origem a formação do povo brasileiro que temos hoje. ( ) certo ( ) errado

 

7- Complete com as palavras: branco – negro – índios.

 

a- Eles foram os primeiros habitantes do Brasil.

_______________

b- Eles chegaram e tomaram posse das terras.

_______________

c- Os índios se misturaram com os _____________ e deram origem ao mestiço caboclo.

d- Os ____________ vieram forçados para trabalharem de escravos no Brasil no lugar dos ___________.

e- Hoje existem poucos _______________ e os ___________ continuam tirando deles a natureza.

Atividade de fixação - substantivos


1. Numa das seguintes frases, há uma flexão de plural grafada erradamente:
a) os escrivães serão beneficiados por esta lei.
b) o número mais importante é o dos anõezinhos.
c) faltam os hifens nesta relação de palavras.
d) Fulano e Beltrano são dois grandes caráteres.
e) os répteis são animais ovíparos.

2. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:

a) vulcão, abaixo-assinado;
b) irmão, salário-família;
c) questão, manga-rosa;
d) bênção, papel-moeda;
e) razão, guarda-chuva.

3. Assinale a alternativa em que está correta a formação do plural:

a) cadáver – cadáveis;
b) gavião – gaviães;
c) fuzil – fuzíveis;
d) mal – maus;
e) atlas – os atlas.

4. Indique a alternativa em que todos os substantivos são abstratos:

a) tempo – angústia – saudade – ausência – esperança– imagem;
b) angústia – sorriso – luz – ausência – esperança –inimizade;
c) inimigo – luz – esperança – espaço – tempo;
d) angústia – saudade – ausência – esperança – inimizade;
e) espaço – olhos – luz – lábios – ausência – esperança.

5. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são masculinos:

a) enigma – idioma – cal;
b) pianista – presidente – planta;
c) champanha – dó(pena) – telefonema;
d) estudante – cal – alface;
e) edema – diabete – alface.

6. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado:

a) O capital = dinheiro;
A capital = cidade principal;

b) O grama = unidade de medida;
A grama = vegetação rasteira;

c) O rádio = aparelho transmissor;
A rádio = estação geradora;

d) O cabeça = o chefe;
A cabeça = parte do corpo;

e) A cura = o médico.
O cura = ato de curar.

7. Marque a alternativa em que haja somente substantivos sobrecomuns:

a) pianista – estudante – criança;
b) dentista – borboleta – comentarista;
c) crocodilo – sabiá – testemunha;
d) vítima – cadáver – testemunha;
e) criança – desportista – cônjuge.

8. Aponte a seqüência de substantivos que, sendo originalmente diminutivos ou aumentativos, perderam essa acepção e se constituem em formas normais, independentes do termo derivante:

a) pratinho – papelinho – livreco – barraca;
b) tampinha – cigarrilha – estantezinha – elefantão;
c) cartão – flautim – lingüeta – cavalete;
d) chapelão – bocarra – cidrinho – portão;
e) palhacinho – narigão – beiçola – boquinha.

9. Dados os substantivos “caroço”, “imposto”, “coco” e “ovo”, conclui-se que, indo para o plural a vogal tônica soará aberta em:

a) apenas na palavra nº 1;
b) apenas na palavra nº 2;
c) apenas na palavra nº 3;
d) em todas as palavras;
e) N.D.A.

10. Marque a alternativa que apresenta os femininos de “Monge”, “Duque”, “Papa” e “Profeta”:

a) monja – duqueza – papisa – profetisa;
b) freira – duqueza – papiza – profetisa;
c) freira – duquesa – papisa – profetisa;
d) monja – duquesa – papiza – profetiza;
e) monja – duquesa – papisa – profetisa.

11.O plural dos substantivos “couve-flor”, “pão-de-ló” e “amor-perfeito”, é:

a) couve-flores; pães-de-ló; amores-perfeitos;
b) couves-flores; pães-de-ló; amores-perfeitos;
c) couves-flores; pão-de-ló; amor-perfeitos;
d) couves-flores; pão-de-lós; amores-perfeitos;
e) couves-flores; pães-de-ló; amor-perfeitos.

12. Indique o grupo de substantivo que só admite o artigo “o” :

a) cal, dó, sentinela;
b) contralto, eczema, aluvião;
c) hosana, apêndice, apendicite;
d) telefonema, eclipse, afã;
e) trama, elipse, omoplata.

13. Indique a alternativa que apresenta erro na forma do plural:

a) sol: sóis; fúsil: fúseis; anão: anões;
b) peão: peões; guardião: guardiãos; caráter: caracteres;
c) órgão: órgãos;corrimão: corrimãos; mel: méis;
d) sótão: sótãos; álcool: álcoois; cônsul: cônsules;
e) faisão: faisães; anil: anis; capitão: capitães.

14. Assinale a alternativa que contiver todos os termos com plural correto:

a) luso-brasileiras; rosas-chá; sapatos-areia; decretos-lei;
b) guardas-marinha; prócers; procônsules; totens;
c) grã-cruzes; chefes-de-seção; surdo-mudos; primas-donas;
d) saias-calças; ouvidores-mor; baixos-relevos; gatos-pingados;
e) sapatos-de-cristais; coronéis-de-barrancos; olhosde-gatos.

15. Entre os substantivos aqui relacionados, há um que é do masculino qual?

a) hóstia;
b) Anátema;
c) Ráfia;
d) Antífona;
e) Estenia.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Conjuração Mineira, Conjuração Baiana e Revolução Pernambucana


Conjuração Mineira

O que foi

A Conjuração Mineira, também conhecida como Inconfidência Mineira, foi um movimento de caráter separatista, ocorrido em Minas Gerais no ano de 1789, cujo principal objetivo era libertar o Brasil do domínio português. O lema da Conjuração Mineira era “Liberdade, ainda que tardia”.

Principais integrantes da Conjuração Mineira (inconfidentes):

- Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier) – alferes, minerador e tropeiro

- Claudio Manuel da Costa – poeta

- Inácio José de Alvarenga Peixoto – advogado

- Tomás Antônio Gonzaga – poeta

- Francisco de Paula Freire de Andrade – coronel

- Carlos Correia – padre

- Oliveira Rolim – padre

- Francisco Antônio de Oliveira Lopes - coronel

Principais causas:

- Exploração política e econômica exercida por Portugal sobre sua principal colônia, o Brasil;

- Derrama: caso uma região não conseguisse pagar 1500 quilos de ouro para Portugal, soldados entravam nas casas das pessoas para pegar bens até completar o valor devido;

- A proibição da instalação de manufaturas no Brasil.

Objetivos principais:

- Obter a independência do Brasil em relação a Portugal;

- Implantar uma República no Brasil;

- Liberar e favorecer a implantação de manufaturas no Brasil;

- Criação de uma universidade pública na cidade de Vila Rica.

A Questão da Escravidão

Não havia consenso com relação à libertação dos escravos. Alguns inconfidentes, entre eles Tiradentes, eram favoráveis à abolição da escravidão, enquanto outros eram contrários e queriam a independência sem transformações sociais de grande impacto.

O fim da Conjuração Mineira

 

O movimento foi delatado por Joaquim Silvério dos Reis ao governador da província, em troca do perdão de suas dívidas com o governo. Os inconfidentes foram presos e condenados. Enquanto Tiradentes foi enforcado e teve seu corpo esquartejado, os outros foram exilados na África.

Conjuração baiana

 

O que foi

Também conhecida como Revolta dos Alfaiates, a Conjuração Baiana foi uma revolta social de caráter popular ocorrida na Bahia em 1798. Teve uma importante influência dos ideais da Revolução Francesa. Além de ser emancipacionista, defendeu importantes mudanças sociais e políticas na sociedade.

Causas

- Insatisfação popular com o elevado preço cobrado pelos produtos essenciais e alimentos. Além disso, reclamavam da carência de determinados alimentos.

- Forte insatisfação com o domínio de Portugal sobre o Brasil. O ideal de independência estava presente em vários setores da sociedade baiana.

Objetivos

- Defendiam a emancipação política do Brasil, ou seja, o fim do pacto colonial com Portugal;

- Defendiam a implantação da República;

- Liberdade comercial no mercado interno e também com o exterior;

- Liberdade e igualdade entre as pessoas. Portanto eram favoráveis à abolição dos privilégios sociais e também da escravidão;

- Aumento de salários para os soldados.

Líderes

- Um dos principais líderes foi o médico, político e filósofo baiano Cipriano Barata.

- Outra importante liderança, que atuou muito na divulgação das ideias do movimento, foi o soldado Luís Gonzaga das Virgens.

- Os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento.

Quem participou

- O movimento contou com a participação de pessoas pobres, letrados, padres, pequenos comerciantes, escravos e ex-escravos.

A Revolta

A revolta estava marcada, porém um dos integrantes do movimento, o ferreiro José da Veiga, delatou o movimento para o governador, relatando o dia e a hora em que aconteceria.

O governo baiano organizou as forças militares para debelar o movimento antes que a revolta ocorresse. Vários revoltosos foram presos. Muitos foram expulsos do Brasil, porém quatro foram executados na Praça da Piedade em Salvador.

Você sabia?

- A Conjuração Baiana é também chamada de Revolta dos Alfaiates, pois muitos destes profissionais participaram do movimento.

A REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA

As invasões napoleônicas em Portugal fizeram com que a Família Real migrasse para o Brasil em 1808, estabelecendo um regime político focado na região centro-sul brasileira. Como mandatários, os portugueses forneciam os melhores cargos e, consequentemente, melhores condições de vida aos seus patrícios que mudaram para o Brasil, causando insatisfação aos habitantes de nacionalidade brasileira.

Pernambuco foi o estado que respondeu com maior indignação às negligências lusitanas, pois sofria uma grave crise econômica desde a expulsão dos holandeses, com a queda na produção e mercantilização do açúcar e do algodão. A região também teve grandes danos com a grande seca de 1816, aumentando a miséria de sua população com a devastação dos solos e a falta de comida.

A Independência nos Estados Unidos e a concentração popular que marcaram a Revolução Francesa foram os movimentos políticos que motivaram a organização de um movimento emancipacionista, que ficou conhecido como Revolução Pernambucana.

Valendo-se dos ideais iluministas, em 1817 os líderes maçons Domingos José Martins e Antônio Cruz e os padres João Ribeiro e Miguelinho foram os principais líderes dessa insurgência. Eles organizaram um governo provisório que durou 75 dias, com representantes do clero, do comércio, do exército, da justiça e dos engenhos para ocupar os cargos depois de um grande confronto com o então governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.

Os pernambucanos revoltosos eram a favor do regime republicano e resolveram, a priori, diminuir os altos impostos e tributos cobrados pelos lusitanos, abolir os títulos de nobreza e ceder o direito à liberdade de imprensa, assim como o fez os Estados Unidos.

O governo provisório buscou apoio dos estados mais próximos da região Norte e Nordeste, mas foram impedidos pelas forças militares portugueses e pela falta de apoio popular.

Sabendo do perigo que podia representar à Coroa o alastramento da revolta, D. João VI enviou tropas militares para cercar o porto de Recife por terra e por mar. O elevado número de combatentes garantiu a vitória aos lusitanos, que fizeram questão de prender aqueles que não foram mortos em batalha.

Alguns líderes, como Teotônio Jorge, padre Souza Tenório, Antônio Henriques e José de Barros Lima, foram capturados e condenados à morte, culminando no fim da Revolução Pernambucana, que se caracterizou pela revolta popular em busca do poder e por ser o último movimento revolucionário antes da Independência do Brasil, em 1822.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Vinda da Família Real


O plano de transferência da família real e da corte de nobres portugueses para o Brasil, refúgio seguro para a soberania portuguesa quando a resistência militar a um invasor fosse inútil na metrópole, já havia sido anteriormente cogitado:


A conjuntura de 1807[editar | editar código-fonte]

Antes das campanhas do Rossilhão e da Catalunha, a Espanha abandonara a aliança com Portugal, fazendo causa comum com o inimigo da véspera – a França de Napoleão. Resultou daí a invasão de 1801, em que a Inglaterra de nada serviu a Portugal.

Ver artigo principal: Guerra das Laranjas

Enquanto o Corpo de Observação da Gironda penetrava em Portugal debaixo do pretexto da protecção, o tratado de Fontainebleau entretanto assinado entre a França e a Espanha, retalhava Portugal em três principados. O plano de Napoleão era o de aprisionar a família real portuguesa, sucedendo ao Príncipe-regente Dom João de Bragança (futuro Rei Dom João VI), o que veio a suceder a Fernando VII de Espanha e a Carlos IV de Espanha em Baiona - forçar uma abdicação. Teria Portugal um Bonaparte no trono e, paralelamente, a Inglaterra apossar-se-ia das colônias do império ultramarino português, sobretudo a colônia do Brasil6

Após os tratados secretos de Tilsit de julho de 1807, os representantes da França e de Espanha em Lisboa entregaram ao príncipe-regente de Portugal, a 12 de agosto, as determinações de Napoleão: Portugal teria que aderir ao bloqueio continental, fechar os seus portos à navegação britânica, declarar guerra aos ingleses, sequestrar os seus bens em Portugal e deter todos os cidadãos ingleses residentes no país. O príncipe-regente era intimado a dar uma resposta até ao dia 1º de setembro.

No Conselho de Estado, reunido a 18 de agosto, sem que se conhecesse ainda a manobra de Napoleão, venceu a posição do ministro António de Araújo e Azevedo: Portugal unia-se ao bloqueio continental, fechando os portos aos navios ingleses. A única objecção era a de não aceitar o sequestro dos bens e nem a detenção de pessoas de nacionalidade inglesa, por não serem conciliáveis com os princípios cristãos. O ministro Araújo ordenou a redação das cartas e expediu-as. Essa era a posição tomada por Lisboa, mas deixando vencida uma minoria liderada por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, que defendera que se fizesse a guerra contra a França e a Espanha, colocando-se em prontidão 70 mil homens e mobilizando-se 40 milhões de cruzados para a custear. Na mesma reunião, Coutinho formulou uma vez mais a ideia preconizada em 1803, de uma retirada estratégica: caso Portugal não tivesse sorte nas armas, então "passasse a família Real para o Brasil"7 .

Os membros do Conselho de Estado encontravam-se divididos em dois partidos – o chamado "partido francês" e o chamado "partido inglês". Este último, liderado por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, contava com personalidades como D. João de Almeida e preconizava a continuação dos pactos internacionais com o Reino Unido, insistindo na necessidade de encarar com firmeza a ideia de guerra. O "partido francês", liderado por D. António de Araújo e Azevedo, defendia a aceitação das condições francesas e, embora dissesse que buscava a neutralidade, inclinava-se para o lado da França.

Sucederam-se as reuniões. Na reunião do Conselho de Estado de 30 de agosto, vingou a ideia de se enviar para o Brasil apenas o Príncipe da Beira (D. Pedro de Alcântara, herdeiro do trono) e as infantas. D. Rodrigo de Sousa Coutinho continuou a defender a ideia de que Portugal devia fazer primeiro guerra à França e que a saída de toda a Família Real só se deveria realizar perante a dificuldade militar. Começaram imediatamente os preparativos para a saída do Príncipe da Beira e das infantas, mandando-se aprontar uma esquadra de quatro naus. As restantes naus da Armada portuguesa ficariam em defesa do porto de Lisboa.

Nas flutuações constantes do período que se seguiu, as movimentações do general Jean Lannes, embaixador francês em Lisboa, frutificaram na queda de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, de D. João de Almeida, e na demissão de Pina Manique. Vencia o "partido francês", com António de Araújo e Azevedo a substituir os ministros demitidos, e a triunfar a "política de neutralidade" favorável à França Napoleónica.

Em meados de outubro, a reunião do Conselho de Estado fez-se já sem a presença de D. Rodrigo de Sousa Coutinho. Antes de receber qualquer resposta, Napoleão já dera ordem de marcha através da Espanha a um exército de cerca de 30 mil homens sob o comando de Jean-Andoche Junot. Não se sabia ainda se as tropas se dirigiam para Portugal, avaliando-se as posições das potências. Napoleão Bonaparte mostrava-se cauteloso, modificando a cláusula em que pedia o sequestro dos bens e pessoas de nacionalidade britânica; Manuel de Godoy, dizia que se a Espanha tivesse a intenção de tomar Portugal, tê-lo-ia feito em 1801, mas "que nem se lembrasse(m) do retiro para o Brasil"; o rei do Reino Unido exortava à transferência para o Brasil da Família Real Portuguesa e oferecia a sua esquadra. A posição britânica vinha apoiada num extenso documento em que se dizia que ficara resolvido pelas outras potências "a extinção da Monarchia Europêa Portuguesa, e portanto o único recurso era ir conservar a sua Monarchia no Brasil"8

Em fins de outubro, realizaram-se novas reuniões do Conselho de Estado, defendendo D. João de Almeida a saída de toda a Família Real e não apenas do Príncipe da Beira e das infantas. Mantiveram-se todas as ordens dadas para que continuassem os preparativos da esquadra. Depois se veria quem iria sair para o Brasil.

No dia 22, foi publicado o edital tornando público o decreto do príncipe regente mandando fechar os portos portugueses aos navios de guerra e mercantes da Grã-Bretanha. Três dias depois, o príncipe regente deu parte aos seus ministros dos preparativos da viagem do Príncipe da Beira, mas que pode ser de toda a Família Real se as circunstâncias assim o impusessem, e decidiu escrever para a Espanha e a França.

A decisão de transferir a Corte para o Brasil, porém, já ficara resolvida na convenção secreta subscrita em Londres, em 22 de outubro de 1807, e que veio a ser ratificada em Lisboa no dia 8 de novembro. Pela mesma altura, chegava a Lisboa a notícia da prisão, em Espanha, do príncipe herdeiro do trono (Príncipe das Astúrias), e de que tropas espanholas e francesas se estavam a dirigir para a fronteira portuguesa.

Confirmavam-se os propósitos de Napoleão em relação a Portugal e a Espanha; tinham fundamento as advertências do rei da Grã-Bretanha e as do chamado "partido inglês" no Conselho de Estado. Não havia alternativa à retirada de toda a Família Real e do governo do Reino para o Rio de Janeiro.

Nas últimas decisões tomadas pelo príncipe regente parece haver a intenção de manter-se um certo equilíbrio entre os partidos em conflito. O "partido francês" viu satisfeitos os "pedidos" de Napoleão, fechando-se os portos aos navios de guerra e mercantes ingleses, e dando-se ordem de expulsão aos ingleses residentes em Portugal, enquanto o "partido inglês" obteve a continuação dos preparativos da esquadra para a saída do Príncipe da Beira.

O ministro António de Araújo e Azevedo ainda mandou desviar para as costas portuguesas os poucos efectivos militares de que o país dispunha, alegando que poderíamos ser surpreendidos por um desembarque britânico. Era um último esforço para favorecer a entrada das tropas comandadas por Junot.

O príncipe regente apenas nos dia 23 de novembro recebeu a notícia da penetração de tropas francesas em território português. Convocou imediatamente o Conselho de Estado, que decidiu embarcar o quanto antes toda a Família Real e o Governo, servindo-se da esquadra que estava pronta para o Príncipe da Beira e as infantas.

Nos três dias seguintes ainda se aprontaram outros navios, que viriam a transportar para o Brasil cerca de quinze mil pessoas. Em 26, foi nomeada uma Junta Governativa do Reino para permanecer em Portugal, e difundidas Instruções aos Governadores, nas quais se dizia que "quanto possível for", deviam procurar conservar em paz o Reino, recebendo bem as tropas do Imperador.

(...) Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos franceses e rei da Itália, a quem eu me havia unido no continente, na persuasão de não ser mais inquietado (...) e querendo evitar as funestas conseqüências que se podem seguir de uma defesa, que seria mais nociva que proveitosa, servindo só de derramar sangue em prejuízo da humanidade, (...) tenho resolvido, em benefício dos mesmos meus vassalos, passar com a rainha minha senhora e mãe, e com toda a real família, para os estados da América, e estabelecer-me na Cidade do Rio de Janeiro até à paz geral.


Junot, no seu "Diário", manuscrito na Biblioteca Nacional da Ajuda, revela quanto os franceses receavam aquele embarque. Ao ser informado que este estava já em execução, e não podendo voar sobre o Ribatejo até Lisboa com as suas tropas, ainda enviou Hermann a Lisboa com a missão de o atrasar ou impedir. "Mr. Hermann ne put voir ni le Prince ni Mr. D. Araujo; celui-ci seulement lui dit que tout était perdu" ("O Sr. Hermann não pôde ver nem o Príncipe nem o sr. D. Araujo; este apenas lhe disse que tudo estava perdido"), escreveria depois Junot a Bonaparte. Para Araújo, para o "partido francês", o mais importante estava na verdade perdido - não era mais possível aos franceses aprisionarem o príncipe-regente de Portugal.

A partida



Embarque da Família Real Portuguesa.

A esquadra portuguesa, que saiu do porto de Lisboa em 29 de novembro de 1807, ia comandada pelo vice-almirante Manuel da Cunha Souto Maior. Integravam-na as seguintes embarcações9 :









A Família real embarcara desde o dia 27, tomando-se a bordo as últimas decisões. No dia 28 de novembro não foi possível levantar ferros porque o vento soprava do Sul. Entretanto, as tropas francesas tinham já passado os campos de Santarém, pernoitando no Cartaxo. No dia 29 de novembro o vento começou a soprar de nordeste, e bem cedo o Príncipe Regente ordenou a partida. Quatro naus da Marinha Real Britânica, sob o comando do capitão Graham Moore, reforçaram a esquadra portuguesa até o Brasil.

O general Junot entrou em Lisboa às 9 horas da manhã do dia 30, liderando um exército de cerca 26 mil homens e tendo à sua frente um destacamento da cavalaria portuguesa, que se rendera e se pusera às suas ordens.

A viagem e a chegada à Bahia




Após a partida, os navios da esquadra portuguesa, escoltados pelos ingleses, dispersaram-se devida a uma forte tempestade. Em 5 de dezembro conseguiram se reagrupar e logo depois, em 11 de dezembro, a frota avistou a ilha da Madeira.

As embarcações chegaram à costa da Bahia a 18 de janeiro de 1808 e, no dia 22, os habitantes de Salvador já puderam avistar os navios da esquadra. Às quatro horas da tarde do dia 22, após os navios estarem fundeados, o conde da Ponte (governador da capitania da Bahia à época) foi a bordo do navio Príncipe Real. No dia seguinte, fizeram o mesmo os membros da Câmara.

A comitiva real só desembarcou às cinco horas da tarde do dia 24, em uma grande solenidade.


A chegada ao Rio de Janeiro

A esquadra partiu de Salvador rumo ao Rio de Janeiro, onde chegou no dia 8 de março de 1808, desembarcando no cais do Largo do Paço (atual Praça XV de Novembro).

Os membros da Família Real foram alojados em três prédios no centro da cidade, entre eles o paço do vice-rei Marcos de Noronha e Brito, conde dos Arcos, e o convento das Carmelitas. Os demais agregados espalharam-se pela cidade, em residências confiscadas à população assinaladas com as iniciais "P.R." ("Príncipe-Regente"), o que deu origem ao trocadilho "Ponha-se na Rua", ou "Prédio Roubado" como os mais irônicos diziam à época.

Em outra medida tomada logo após a chegada da corte ao Brasil, declarou-se guerra à França, e foi ocupada a Guiana Francesa em 1809.

Em abril de 1808, o Príncipe Regente decretou a suspensão do alvará de 1785, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Ficavam, assim, autorizadas as atividades em território colonial. A medida permitiu a instalação, em 1811, de duas fábricas de ferro, em São Paulo e em Minas Gerais. Mas o sopro de desenvolvimento parou por aí, pois a presença de artigos ingleses bem elaborados e a preços relativamente acessíveis bloqueava a produção de similares em território brasileiro. A eficácia da medida seria anulada pela assinatura dos Tratados de 1810: o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação. Por este último, o governo português concedia aos produtos ingleses uma tarifa preferencial de 15%, ao passo que a que incidia sobre os artigos provenientes de Portugal era de 16% e a dos demais países amigos, 24%. Na prática, findava o pacto colonial.

Mudanças ocorridas


 

Primeiro bilhete de banco, precursor das atuais cédulas, emitido pelo Banco do Brasil em 1810.

Entre as mudanças que ocorreram com a vinda da Família Real para o Brasil destacam-se as 8 principais:


Consequências

Ao evitar-se que a Família Real portuguesa fosse aprisionada em Lisboa pelas tropas francesas, inviabilizou-se o projecto de Napoleão para a península Ibérica, que consistia em estabelecer nela famílias reais da sua própria família, como ainda se tentou em Espanha com a deposição de Fernando VII e Carlos IV, colocando no trono José Bonaparte. A revelação da correspondência secreta de Junot e de Napoleão, bem como os textos dos Tratados secretos de Tilsit, não deixam margem para quaisquer dúvidas a este respeito.

O "partido francês" em Portugal, não se dando por derrotado, começou imediatamente a difundir a ideia de que a retirada estratégica da Corte para o Brasil mais não era do que uma "fuga", que teria deixado Portugal sem Rei e sem Lei. Por esse motivo foi enviada uma delegação sua ao encontro de Junot para que Napoleão Bonaparte lhes desse uma Constituição e um Rei.

Após a derrota de Napoleão, a transferência da Corte para o Brasil veio também a ter como consequência a Revolução de 1820 em Portugal, que exigiu o retorno da Família Real portuguesa e da Corte a Lisboa. O comportamento dos deputados às Cortes Constituintes face ao Brasil depois também veio a provocar a proclamação da sua Independência.